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Comunicação Interespécie - Homem e Cavalo

Todo cavalo está a procura de se comunicar. Comunicação é um motivo de sobrevivência na natureza. Segundo Darwin, sobreviveram os mais aptos e os mais aptos se comunicavam, consequentemente transmitiram esta habilidade aos seus descendentes. Retirados desta condição natural é comum que problemas comportamentais surjam.

Sabemos que cavalos não nascem cavalos, tornam-se cavalos. Precisam de outros cavalos para aprenderem seus comportamentos ancestrais, gestos, hábitos, relacionamentos instintivos. Aprendendo isso, fortalecem o amalgama da manada e, consequentemente, sua sobrevivência. A comunicação profunda, instintiva dos cavalos percorre 55 milhões de anos de evolução e fortalece as palavras do etólogo Konrad Lorenz (1903 – 1989), que escreveu no prefácio do livro A Expressão das Emoções no Homem e nos Animais de Charles Darwin, o seguinte :

(...) Este fato, ainda ignorado por muitos psicólogos, consiste simplesmente em que padrões comportamentais são características tão confiáveis e conservadas nas espécies quanto as formas dos ossos, dos dentes, ou de qualquer outra estrutura corporal.


Se a comunicação que os cavalos utilizam é parte da evolução da espécie, assim como seu comportamento, essa comunicação é tão rígida e concreta quanto seus dentes, seus ossos e cascos. Essa máxima sobre a evolução é das descobertas mais revolucionárias para mim. Cavalos são o que são, não mudam. Mudanças de comportamento trata-se de diagnóstico, não caráter, nem tão pouco personalidade. É doença, problema comportamental. Merece atenção acadêmica, médica, cirúrgica.
Quando trabalhamos com “cavalos problemáticos” corremos um risco enorme de seguir normas estabelecidas de mercado. De frases curtas, de conceitos sem propósito, de manutenção daquela “cultura” do cavalo que precede da força ou mesmo da violência enquanto “mal necessário” para correção do animal não-humano. Isso está errado, absurdamente equivocado.


Todo cavalo deve ter, antes de qualquer coisa, o direito de se comunicar para então iniciar-se em qualquer técnica. Estou defendendo aqui uma idéia que precede qualquer tipo de “trabalho” ou método a priori. Defendo que 99% dos cavalos possuem uma abertura enorme à cooperatividade se tiverem chance de mostrarem como pensam e como se comunicam.
Se por exemplo um cavalo medroso e assustado – pleonasmo né? Cavalos são naturalmente medrosos e assustados – surgir num curso com o intuito de estabelecer conexão com o cavaleiro, ou seja, para desenvolvimento do Conjunto. Primeiramente vou dar a chance a este cavalo de se expressar, de demonstrar seus medos, possíveis traumas e então, de se comunicar comigo. Este primeiro contato como o cavalo aumenta em pelo menos 99% de chances de sucesso. Aqui, antes de qualquer coisa, tenho por intenção conseguir um cavalo absolutamente confiante, relaxado e cooperativo. Não tenho sela, não tenho rédeas, não quero equilibra-lo, gastar ou mudar de mão. Não quero nada dele, quero R.E.L.A.C.I.O.N.A.M.E.N.T.O.


Pois bem, Comunicação Interespécie é a base do relacionamento Homem e Cavalo. Ela é anterior a técnica, ao método, à equitação, à doma. Este momento precioso precede tudo e, também é, a base de tudo. A partir deste momento, toda a história deste cavalo terá uma qualidade, um diferencial, um estado de presença particular e único, pertencente a ele e a você. Toda retomada de trabalho, de férias, de recuperação poderemos reestabelecer este momento belo e único de Comunicação entre Homem e Cavalo.
Nosso desejo é bem estar a todos, a nós e a eles. Nessas condições, diminuímos em muito os riscos e melhoramos consideravelmente a possibilidade de sucesso esportivo.


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