BLOG

Quem Não Sabe o Que Procura – de Wilson a Alice

Como sempre, o samba é uma fonte inesgotável de conhecimento popular, de sabedoria a partir do encontro de pessoas simples, da rotina de casa, do trabalho, do convívio social, das dificuldades e das alegrias da vida. Na apresentação do Bloco do Cupinzeiro no Escuta o Cheiro, Anabela Leandro abre a apresentação com habitual meia hora de atraso, calçando a frase “Devagar também é pressa”. Põe logo o pé no terreiro com a maestria de sambistas como Wilson das Neves.

Sentando ao fundo da bateria às gargalhadas, com meu copo americano meio cheio, lembro de uma das frases de Wilson: “Quem não sabe o que procura, quando encontra não reconhece”. Certo que encontrei um argumento maravilhoso para um artigo ou vídeo abro o celular e anoto idéias que nunca serão usadas.
Vamos aos cavalos; se você treina ou educa cavalos em algum nível já percebeu onde quero chegar com frase do bateristas das Neves. Minha antiga Instrutora, alemã, nunca me deixou dar um passo sem saber onde quero chegar. Para tudo que for trabalhar com cavalos é fundamental saber exatamente o que se deseja, tecnicamente, friamente, objetivamente. Para se ter algum método de avaliação. Principalmente para reconhecer o que se encontrar.


É comum errar nesse aspecto, se me distraio um pouco perco meus objetivos no trabalho. Estou sempre retomando o que quero com meu cavalo, onde parei e onde pretendo chegar. Dessa maneira devagar também é pressa. É muito comum encontrar trabalhos engessados no mercado, formatados, profissionais que já não sabem o que desejam, o que procuram. Se entro no picadeiro, o que eu quero hoje? Como pretendo sair do picadeiro? Qual a transformação que espero do meu cavalos? O que vou aplicar para ajuda-lo a conquistar o que desejamos? Todas as perguntas ajudam a elaborar um projeto de trabalho diário. Nada pior para um profissional se não a procrastinação do método ou a falta completa dele.
Se entro no trabalho com meu cavalo sem saber o que Procuro, quando algo BOM acontecer não saberei Reconhecer!
Parece obvio, mas não é. É complexo e demanda muita experiência. A simplicidade demanda experiência.


A obra de Lewis Carroll de 1865, Alice no País das Maravilhas traz um diálogo idêntico:
Alice perguntou:
Gato Cheshire... pode me dizer qual o caminho que eu devo tomar?
- Isso depende muito do lugar para onde você quer ir – disse o Gato.
- Eu não sei para onde ir! – disse Alice.
- Se você não sabe para onde ir, qualquer caminho serve.

E não, qualquer caminho não serve. Desejo criar um elo de confiança, relaxamento, seguir escala de treinamento, equilíbrio, propriocepção, engajamento, um simples e notório cooperativismo. Fundamental.
Tudo serve, menos qualquer caminho.
Anabela nunca imaginou o efeito daquela frase, afinal de contas, segundo o próprio Wilson: Barata viva não travessa terreiro!


Wilson das Neves foi raiz, morreu aos 81 anos, dos maiores letristas e sambistas, um gigante. Se você quer conhecer um pouco mais desse mestre leia e ouça:

https://goo.gl/45cbHY

E lembre-se:
“Quem não sabe o que procura, quando encontra não reconhece”
E um bom restinho de ano que sobra desse pós carnaval!

blog

Veja também

Contato

Erro: Campos obrigatórios
Informações de contato


WhatsApp: (19) 9 7100 7991
E-mail: darkomago@gmail.com