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Santos Dumont – mais pesado que o ar

“Santos Dumont, mais pesado que o ar” encenado, dirigido e criado pela genial Denise Stoklos. Ela está na ativa, apresenta por todo o mundo um repertório de Teatro Essencial, método criado também por ela onde o ator (autor) desenvolve uma obra a partir de elementos essenciais `a cena teatral, num aspecto de urgência do criador. Longa história, recomendo acompanha-la.

Eu tinha 16 anos de idade e este espetáculo mudou minha maneira de ver o mundo. Entrei no Centro de Convivência com medo daquela arquitetura sombria, entulhos do antigo Municipal escorrem pelas paredes em forma de lápides, tétrico. Denise tem uma força enorme em cena, destituída de adereços, ela propõe uma estética absolutamente simples. Seus espetáculos são frutos de trabalho do corpo, da cena, do texto, quando muito da luz. Em geral ela se apoia na mímica, roupa escura e um palco limpo. Todo palco torna-se gigante para ela. Denise tem uma qualidade rara em palco, atriz que conhece seu texto, tem consciência do seu corpo e um domínio magnífico do ritmo da cena, da comédia ao drama. Dramatiza exageradamente, sempre na medida certa.


Naquela noite ela havia interferido profundamente nas minhas escolhas estéticas. Um homem é formado por uma infinidade de encontros que acontecem o tempo todo. Mas guardo cicatrizes dequela noite. Ela apontava para o público um indicador gigante, por mímica, apenas por mímica as paredes do teatro se fecharam e ela se sufocava em cena. O enforcamento de Santos Dumont naquela noite representava todo o fracasso de nós brasileiros....600 pessoas em silêncio, esperavam o que de Denise Stoklos? Louros? Não, ela continuava feroz! Tomei gosto pela simplicidade, pelo gesto, pela harmonia nua do caminhar, do errante, do monge, de Amyr Klink – “Um homem torna-se rico quanto menos bens ele tem” disse ele. Espetáculo atual nos dias de hoje: “o moderno é tradição” disse uma vez Hamilton de Holanda.


Acho que por causa dela acabei tomando um gosto minimalista pelas coisas. Adoro arte simples, de rua, instrumentos de madeira, luthier, mágica com cartas. Trabalhar com cavalos é assim também, quanto menor a quantidade de tralhas melhor. Estou falando aquilo que concerne antes da equitação, no pasto, no redondel, no manejo. Convencer um cavalo a confiar e a trabalhar com você sem precisar de nada, é lindo. Você e o cavalo, o cavalo e você. Chico Buarque tem um texto assim sobre a pelada: “...é a bola e o moleque, é o moleque e a bola!”
Eu finjo que sou Denise no redondel, tudo é essencial e muito simples. Uma conversa de bar, um passeio de barco, Sons de Carrilhões no Bandolim.
Sempre ganho um grande amigo!


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